am.newsrh@gmail.com
@amnewsrhquinta-feira, 11 de junho de 2026
Trabalhista

Fim da escala 6x1 pode beneficiar mais de 130 mil trabalhadores no Amazonas

Câmara aprovou mudanças na jornada de trabalho que impactam diretamente 130.618 trabalhadores amazonenses. Sindicatos comemoram, empresários alertam para custos.

Redação AM.NEWSRH·8 de junho de 2026

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 promete transformar a rotina de trabalho de mais de 130 mil trabalhadores no Amazonas. O estado conta atualmente com 466.248 trabalhadores inseridos em alguma modalidade de jornada semanal que será afetada pela mudança.

O que muda na prática

Com a aprovação da PEC, a transição ocorrerá em etapas. Dois meses após a publicação da emenda constitucional, todos os trabalhadores CLT passam a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana. Um ano depois, a carga horária semanal máxima cai de 44 para 40 horas.

Atualmente, 130.618 trabalhadores no Amazonas atuam no regime 6x1 — seis dias de trabalho para um dia de folga — e migrarão para o modelo 5x2. Outros 334.514 (71,92% do total) já estão no regime 5x2 e serão beneficiados apenas pela redução de 44 para 40 horas semanais.

Debate acalorado no estado

A medida divide opiniões. Para os sindicatos, a conquista é histórica. A presidenta da CTB-AM (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas) declarou que "todo avanço trabalhista fortalece o país" e projeta geração de até 35 mil novos empregos no estado com a redistribuição de horas de trabalho.

Já o setor empresarial alerta para o aumento de custos operacionais, especialmente no comércio e nos serviços, setores com maior concentração de trabalhadores em escala 6x1.

Saúde mental em pauta

Dados do Ministério da Previdência Social apontam crescimento no número de afastamentos por transtornos mentais diretamente relacionados à intensidade da jornada imposta pela escala 6x1. Especialistas em medicina do trabalho afirmam que dois dias consecutivos de descanso contribuem significativamente para recuperação física e psicológica dos trabalhadores.

A proposta segue agora para votação no Senado Federal, onde deve enfrentar novo debate entre parlamentares ligados ao setor produtivo e às centrais sindicais.